- Pô Rafael, você tá estranho hoje hein. Ficou quieto a reunião inteira... tá acontecendo alguma coisa?
- Ah, cara, pra dizer bem a verdade nem tava prestando muita atenção pro que tavam dizendo.
Rafael tinha saído do café, mas o encontro com Julia seguia povoando seus pensamentos. Durante três anos havia pensado, imaginado, sonhado com um reencontro, com a chance de tentar reconquistá-la e quando finalmente tentou seguir em frente, ela simplesmente aparece de novo em sua vida. Definitivamente aquele encontro havia mexido com ele.
- Bom, então só pra te situar, o seu Gerônimo apresentou o balanço do mês e teu pai ficou nada satisfeito. Falou que se não melhorar mês que vem, vai ser obrigado a demitir alguém.
Enquanto caminhava ao lado de Denis, em direção ao carro no estacionamento, Rafael ainda admirava aquele sorriso que insistia em permanecer no seu pensamento. Tanta desatenção fez o amigo reclamar.
- Pô Rafa, presta atenção cara...que tá acontecendo?
- Eu encontrei a Julia hoje no café. A gente conversou e ela me falou que voltou pra casa dos pais dela.
- Ah não cara, você não pode se iludir com isso. Eu tava contigo depois que ela foi embora e nós dois sabemos como você ficou.
- Eu sei, Denis. Eu sei de tudo isso, eu lembro muito bem disso, mas eu não consigo tirar esse encontro da cabeça. Na verdade, acho que vou direto pra casa hoje. Tenho que pensar sobre o o que aconteceu.
- Mas aconteceu alguma coisa? - Denis parecia surpreso.
- Não, não! apenas conversamos mesmo, mas você sabe o que eu sinto por ela né. É difícil pensar que ela está aqui de volta.
- Mas e a Márcia?
- Eu sei cara, é por isso mesmo que eu quero ir para casa e pensar nisso tudo. Não posso enganar ela. Ela me fez tão bem, não seria justo.
Denis havia acompanhado de perto os três anos que Rafael passou se lamentando pelo término do namoro com Julia. Sabia o quanto aquele reencontro havia mexido com o amigo e por isso mesmo, dava-lhe razão.
- É...não seria mesmo. - concorda o amigo, sem saber direito o que dizer a respeito.
- Bom, mas amanhã a gente se fala então. E não comenta isso com ninguém né Denis! - afirma Rafael cumprimentando o amigo e entrando no seu carro.
Cerca de uma hora depois, já em seu apartamento, ele liga para a noiva. Explica que preferia ficar em casa naquela noite, ao invés de ir na festa de aniversário de uma das colegas de trabalho dela. Márcia ainda insiste, mas ele se mostra decidido. Afirma que não tem problema que ela vá, mas que vai ficar em casa. Ela, ainda pergunta se ele quer companhia, mas com a negativa, se despede e desliga o telefone.
Rafael não sabe direito o que pensar, muito menos o que fazer. Apanha uma garrafa de água na geladeira e senta em frente a TV, que mesmo no volume alto, não consegue se sobrepor à voz de Julia. Ele revê toda a conversa do café e ali fica, embriagado de esperança, enquanto admira o sorriso da amada...
CONTINUA...
PS.: para que não recorda ou simplesmente não leu, abaixo estão os links para os "capítulos" anteriores!
http://mrgomelli.blogspot.com/2010/06/um-belo-dia-o-reencontro-17.html
http://mrgomelli.blogspot.com/2010/07/um-belo-dia-confusao-nela-27.html


